Primeira Igreja Batista de Fortaleza
Autor: Eloisa
Data: 23.11.2008
ALEGRIAS E TRISTEZAS
Aqui neste mundo os nossos sentimentos muitas vezes se misturam, se embaralham de forma confusa, de tal forma que nem sempre conseguimos ao certo distinguir os que estão prevalecendo no coração…
Nestas últimas semanas experimentei sentimentos de grande alegria com tantas experiências positivas e grandes bênçãos de Deus no projeto evangelístico “Casa do Julgamento”. Compartilhei neste espaço na semana passada algumas destas bênçãos.
No sábado, 15 de novembro/2008, vivemos momentos felizes revendo pessoas que fizeram uma decisão por Cristo em nosso “Reencontro”, muito bem organizado pelo Ministério de Integração. Mas, naquela noite meu coração estava dividido. Na tarde daquele sábado morria um colega de ministério, um irmão a quem respeitava e mesmo não tendo muita proximidade, admirava como pessoa e como servo de Deus: Pr. Helnir Cortez.
Depois do nosso “Reencontro” fui à Igreja Presbiteriana da Aldeota, onde ele serviu durante muitos anos e da qual fazia parte como pastor jubilado. No domingo à tarde retornei e participei do culto fúnebre. Muitas palavras de reconhecimento por sua grande influência na sociedade de Fortaleza e na vida de seu rebanho. Muita emoção e dor. Muita maturidade e sabedoria nas palavras de consolo pronunciadas pelos colegas pastores.
Todos que conheciam o Pr. Helnir destacam características que eram marcantes em sua personalidade: paciência e bom humor. Parecia que ele seria predestinado a morrer bem idoso, com a família ao redor, como tantos outros servos de Deus. Mas, não foi assim. Na porta de sua casa, chegando da igreja, no começo da noite, na terça feira, dia 11 de novembro, ele foi vítima de um assalto. Não reagiu, mas foi baleado. Hospitalizado em um dos hospitais de referência da cidade, teve os melhores prognósticos. Informaram que a bala não havia atingido nenhum órgão vital. Mas, erraram e ele morreu como vítima de dois sistemas falidos em nosso país: segurança e saúde.
Os esforços das autoridades do nosso Estado e do município não têm sido capazes de conter a onda de violência que assola a nossa cidade e que já chegou a cada um de nós. Nossa segurança somente pode estar em Deus porque a sensação que temos é que há uma incompetência generalizada quando se trata de proteger os cidadãos. A violência não se limita à periferia da cidade ou às favelas. Sentimo-nos em meio a uma guerra que estamos perdendo. Por muitos motivos, dentre eles, a falta de policiamento adequado, um sistema jurídico que protege os bandidos, leis ultrapassadas, juízes corruptos e impunidade generalizada.
Quanto ao que ocorreu no hospital o sentimento não é diferente. Que tipo de médicos estão sendo formados em nossas Universidades? Os casos de negligência ou incompetência médica têm crescido assustadoramente. Pessoas que se submetem a cirurgias simples correm sério risco de ter sua vida cortada abruptamente…
Precisamos ter a consciência que a violência e a incompetência estão muito perto de nós. Precisamos nos mobilizar para evangelizar a fim de que corações sejam transformados, ajudar os que querem ser ajudados, criando melhores oportunidades e condições de trabalho, precisamos de profissionais mais competentes em todas as áreas: policiais que protejam, advogados que lutem pela vida, juízes que mandem para a cadeia os marginais, políticos que elaborem leis mais severas, autoridades com coragem para fazer cumprir estas leis, médicos que sejam mais zelosos no exercício de sua tarefa.
Seu pastor
Marcos Vieira Monteiro.