Primeira Igreja Batista de Fortaleza
Autor: Diogo
Data: 09.03.2009
Todos os dias a mídia apresenta os dramas vividos por milhares de brasileiros nos grandes centros urbanos e no interior do nosso país. Quem terá compaixão? Um dos mais terríveis é o do abuso sexual de crianças e adolescentes. Agora mesmo os noticiários focalizam um “caso” chocante.
Uma menina de 9 anos, do município de Alagoinha, interior de Pernambuco, foi estuprada pelo padrasto. Ficou grávida de gêmeos. Segundo os médicos, a menina corria risco de vida se levasse adiante a gravidez. A garota foi internada na enfermaria de gravidez de alto risco do Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip), no Recife, - para se submeter ao procedimento de aborto, previsto em lei em casos de estupro - e recebeu alta da unidade depois de alguns dias sem que o aborto fosse realizado. Quando ela foi internada no IMIP, o arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho encontrou-se com o diretor desta instituição, onde a menina estava internada, e até com o presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), para tentar impedir o aborto.
O padrasto que violentou a garota, juntou-se ao líder religioso, afirmando estar preocupado com o assassinato de dois inocentes e que “a lei dos homens não pode superar a lei de Deus”. O aborto nestes casos é sempre uma questão polêmica. Não vou discuti-la aqui.
Na quarta feira passada o aborto foi realizado. Médicos que realizaram o aborto, a mãe e a menina foram excomungados. Pr. Diné Renne Lota, questionou: “Você não acha interessante o fato do arcebispo de Olinda e Recife excomungar os médicos e a mãe da menina estuprada por permitirem e realizarem o aborto, mas não ter excomungado o padrasto por ter abusado por mais de três anos da pobre menina? Por que a Igreja não fez nada para proteger a criança dos abusos do padrasto? É mais fácil ficar do lado de um feto que de uma criança abusada sexualmente?”
O mais lamentável é que este não é um caso isolado. Se você tiver acesso ao prontuário de crianças que estão em instituições que abrigam crianças vítimas de violência vai constatar que a maioria delas foi também abusada sexualmente. Senadores que integram a CPI da Pedofilia estão no Pará. Eles apuram denúncias envolvendo políticos paraenses. Na Assembléia Legislativa do Pará, os deputados criaram uma CPI para apurar as denúncias de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes.
O relator, deputado estadual Arnaldo Jordy (PPS), está impressionado com a quantidade de casos. “Só na Região Metropolitana de Belém, nós já temos esses dados, as denúncias somam 900 casos por ano. É um total de 4,5 mil ao longo de cinco anos, que é nosso objeto de investigação”, calculou o deputado Arnaldo Jordy.
Diante de tudo isso que sentimentos vêm ao nosso coração. Revolta ou compaixão? Creio que a indignação é legítima. Indignação contra maldade destes “monstros” desequilibrados que roubam a pureza de uma criança. Mas, a revolta não deve ser o sentimento a prevalecer em nossos corações. A indignação diante destas situações deve nos conduzir à compaixão. Compaixão que nos leve à evangelização. A apoiar a obra de evangelização do povo brasileiro. A orar pelos nossos missionários que trabalham nas Casas onde estão crianças e adolescentes vítimas da violência, inclusive da sua própria família.
Não seja insensível: tenha compaixão e contribua para restauração de vidas e prevenção. O Evangelho penetrando nas famílias brasileiras impedirá que tais abusos continuem ocorrendo dentro de casa. Inocentes estão sendo abusados e sofrendo: “Quem terá compaixão?”
Seu pastor
Marcos Vieira Monteiro