Primeira Igreja Batista de Fortaleza
Autor: Diogo
Data: 15.04.2009
Neste domingo em que celebramos a Páscoa escolhi este texto do Dr. Ágabo Borges de Souza que, de maneira sucinta, apresenta o significado desta festa, sob uma perspectiva história.
A páscoa cristã surgiu no início do segundo século em Roma, com o distanciamento do Judaismo. O Cristianismo gentílico queria festejar sua própria festa, desprendendo-se das tradições judaicas. Este processo foi lento e conflituoso, o sínodo de Nicéia (325 d.C.) discutiria ainda este tema.
Um dos pontos principais era o sentido da festa, ou seu conteúdo. A páscoa se tornou então o memorial da ressurreição.
A discussão em torno da união da páscoa cristã com a festa da primavera no norte da Europa não é algo resolvido, pois muitos estudiosos não concordam, que tenha havido uma união.
Fato é, que a páscoa cristã é festejada no início da primavera no norte da Europa e alguns elementos deste período muito significativo em função do rigor do inverno, que parece matar toda a vida, foram inseridos no contexto da festa. Por exemplo, o coelho, pois é o primeiro animal que reaparece e tem um grande poder reprodutor. Na primavera a natureza reascende como se ressurgisse. Considerando o sentido da páscoa cristã, este acontecimento se torna significativo.
Este é o principal e mais festejado momento dos cristãos ortodoxos, pois nisto consiste a essência do cristianismo, a ressurreição de Cristo. Isto fica claro na saudação da páscoa: “O Senhor ressuscitou, Ele verdadeiramente ressuscitou.”
A páscoa que os cristãos primitivos festejavam dominicalmente, passa a ser festejada anualmente e se torna sobretudo a festa da vida. Assim, mais uma vez a festa da páscoa é enriquecida de sentido, ela deixa de ser uma esperança da libertação, baseada na experiência do êxodo, e passa a ser uma proclamação da vitória da vida sobre o poder da morte, efetivada na ressurreição de Jesus Cristo.
Os elementos hoje presentes nos “símbolos” pascais nos remetem a esta mensagem da vida. Evidentemente, que para nós do hemisfério sul alguns elementos não têm muita força de significado, pois não reflete nossa experiência, mas isso não tira destes elementos seu valor.
É próprio das festas religiosas buscar no cotidiano ligações significativas, para que o vivido no contexto da religião encontre sua relação com a vida em seu cotidiano. É assim que Jesus institui a ceia. Ele faz isto na páscoa judaica, dando a ela um novo sentido, para que o cotidiano (”… todas as vezes que comerdes… e beberdes..”) tome parte na festa e a festa no cotidiano, fazendo crescer o sentido de vida.
Podemos encarar, então, a Páscoa Cristã de duas maneiras: 1. Como uma festa completamente nova, diferente da páscoa judaica, que tira seu sentido da experiência da ressurreição ou 2. Como uma ampliação de sentido da antiga páscoa judaica, que nos ajuda a compreender o sentido da libertação de Deus da opressão do pecado e da morte, denunciando todo tipo de opressão.
Seja como for, seja qual for a nossa perspectiva, julgo importante cultivarmos a tradição da festa, pois mantemos assim, viva na memória do povo e das gerações seguintes a importância da ressurreição para os cristãos.