PIB Fortaleza

Primeira Igreja Batista de Fortaleza



Pastorais

Uma Oferta de Amor

Autor: Diogo

Data: 15.03.2009

Relutei muito em compartilhar em um grupo maior este fato, por envolver um dos nossos filhos. Não gostaria de colocar uma responsabilidade grande sobre os seus ombros ou dar a entender que temos qualquer mérito nesta experiência que vivemos. É mais uma prova da graça de Deus para conosco. Resolvi compartilhar porque um pastor amigo convenceu-me, dizendo que esta é uma experiência real que pode inspirar a outros e por isso vale a pena ser dividida. E ainda ameaçou: “se você não escrever, eu o farei!”

Assembléia da Convenção Batista Brasileira em Brasília. Janeiro deste ano. Noite missionária. Pr. Sócrates de Oliveira e Pr. Fernando Brandão desafiavam os participantes para uma oferta destinada especificamente para a compra de Bíblias para a China e para a construção de um novo Lar de Crianças em Palmas,TO. Victor, desde o início do inspirativo culto, não estava ao nosso lado. Naquela noite preferiu ficar ao lado do Pr. Ebenezer, seu amigo que estava em algum lugar daquele grande auditório.

O apelo dos líderes da Junta de Missões Mundiais e Nacionais era veemente. Na minha visão até um pouco além do que eu considero razoável. Eu e Dora fomos à frente com muitos outros convencionais e entregamos nossa oferta. Confesso que a minha, naquela noite, não poderia ser considerada uma oferta realmente generosa. Foi uma “oferta simples”. Pensei: “Quando chegar a campanha de Missões “de verdade” darei uma oferta significativa, como já fiz em outras campanhas.” Mas, o apelo insistente continuava… Foi quando me dei conta que o Victor ainda não tinha aparecido para pedir a oferta dele. Com certeza ele iria querer também participar. Já tinha até conferido a carteira e separado uma nota de R$ 10,00 para que ele pudesse participar. E nada do Victor chegar… Pensei: “talvez ele tenha saído antes do apelo começar…”

De repente, ele chega. Nunca vou me esquecer desta cena. Vestindo uma de suas roupas preferidas – terno e gravata - com os olhos marejados e piscando duro. Percebo que ele tem algo importante a me dizer. Eu e Dora chegamos bem pertinho dele e escutamos a dizer:

- Pai, eu quero dar todo o meu dinheiro para Missões.
- Como, Victor? Todo o seu dinheiro?!
- Sim, pai.
- Quanto você têm?
- Cento e oitenta e dois reais.
- Você tem certeza?
- Sim, pai. O senhor tem cheque aí? Porque o dinheiro está lá em Fortaleza. Quando chegar lá eu te dou o dinheiro.
- Sim, filho. Eu tenho.

Nesta hora lágrimas vieram aos meus olhos. Dora também estava emocionada. Entreguei a ela o talão de cheques. Ela o preencheu rapidamente com o valor combinado… Foram juntos entregar lá na frente. O apelo já tinha terminado, mas eles conseguiram ainda entregar a oferta.

Logo depois que retornaram perguntei ao Victor.
- Você está feliz em ter dado todo o seu dinheiro?
- Sim papai.

Fiquei muito feliz com sua convicção. Para mim o importante é que ele estivesse entregando sua contribuição com alegria, ainda que isso fosse algo sacrificial. O que me impressionou é porque eu sei o quanto ele é “seguro” quando se trata de gastar o dinheiro dele. Como o pai, quase tudo ele acha “muito caro”. Este dinheiro era tudo que ele tinha ganhado no último ano: presentes de aniversário de algumas pessoas que tinham dado em dinheiro, economias pessoais… Aquele dinheiro era um tesouro muito precioso que ele guardava a “sete chaves”. Deus tocou em seu coração para que ele realmente desse tudo o que possuía naquele dia e ele atendeu a voz do Senhor…

Estávamos ainda no auditório, nos “recuperando” da emoção quando ele me explicou porque decidiu contribuir.
- “Papai, eu dei o dinheiro para as criancinhas terem um Lar. Eu já tenho um lar, eu tenho um pai, eu tenho o senhor.”
Diante desta resposta me tranqüilizei. Pensei: “Ele não vai se arrepender do que fez. Suas motivações estavam corretas: gratidão a Deus e a sensibilidade pelo sofrimento dos outros”…

Nossa conversa naquela noite encerrou com a declaração:
- Pai, amanhã eu começo a juntar dinheiro de novo…
Percebi que meu filho continuava… sendo o filho que eu conhecia.

O que ele não sabia é que no dia seguinte, ele iria receber cem reais, que o avô já tinha anteriormente planejado dar-lhe como presente de Natal atrasado… No dia seguinte, último dia da convenção, ele recebeu do Pr. Juracy Bahia, R$ 20,00 por ter ajudado como vendedor de livros no stand da Ordem dos Pastores. Um outro pastor, para quem ele distribuiu centenas de folders de propaganda do seu livro, deu para ele mais R$ 20,00. Assim, no dia seguinte à oferta de R$ 182,00 ele já tinha “recuperado” R$ 140,00. Estes dois pastores deram estas gratificações sem saberem o que tinha acontecido no dia anterior. Poucas vezes vi o Victor pular literalmente de alegria ao receber o presente dos avós e os “pagamentos”.

Para receber o restante Deus usou até uma pessoa não crente. Victor deu vários de seus livros escolares para a filha da nossa vizinha que está um ano aquém no mesmo colégio. Ao chegarmos de Brasília ela tinha separado R$ 30,00 para gratificá-lo pela doação dos livros que tanto serviriam para sua filha. Faltava apenas R$ 12,00 para a benção ser completa. Ao resgatar o dinheiro que ele tinha guardado em casa descobrimos que ele tinha se equivocado com o valor. Era R$ 172,00 e não R$ 182,00. O restante era quase o valor que eu tinha separado na carteira para que ele desse como oferta.

Não estou dizendo com isso que se você der para Missões uma oferta sacrificial, no dia seguinte ou em poucas semanas você terá de volta literalmente. Se você dá pensando em quanto vai “lucrar” para Deus esta oferta perdeu completamente o valor…

Quando Deus requer de nós algo como dar uma oferta sacrificial, isso realmente é difícil. Relutamos. Mas, no final, somos plenamente recompensados. Financeiramente ou não.

Nesta campanha de missões ouça a voz de Deus e experimente obedecer. Você não se arrependerá.

Seu pastor
Marcos Vieira Monteiro.

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