No domingo passado, na mensagem do Culto da Manhã, compartilhei com a igreja um pouco do que deixo hoje registrado aqui.

Nestas últimas semanas vivemos um tempo muitas lutas, apreensões, vitórias e alegrias. Após o momento de frustração com o fato de não ser possível realizar a nossa “viagem dos sonhos” agora em julho conforme estava tudo programado, nos concentramos em cuidar da saúde de Dora da melhor maneira possível.

Em poucos dias passamos da fase da descoberta “acidental” do tumor para as providências necessárias para cirurgia.  Muitos questionamentos passaram por nossa mente e coração nesta fase, mas em momento algum duvidamos do amor e do cuidado de Deus. Pelo contrário, no momento em que compartilhamos com a igreja o que estava acontecendo conosco, foi crescendo em nosso coração um sentimento de Deus nos concederia uma grande vitória.

No dia 28 de junho acordei bem cedo. Coloquei o despertador as 4:15 da manhã. A cirurgia de Dora estava prevista para 06 horas. Uma “paz que excede todo o entendimento” invadiu o meu coração. Em minha mente as lembranças da noite anterior. Na igreja os batismos, o privilégio de compartilhar “Minhas Convicções como Cristão”, as muitas decisões por Cristo, a palavra de apoio de cada irmão à porta: “Estou orando, vai dar tudo certo...”

O dia estava clareando e em meu coração se iluminava cada vez mais, pois sentia que naquele momento e nas horas seguintes, dezenas de irmãos de nossa igreja e de outros lugares do Brasil e do mundo estavam se unindo a nossa família em uma grande corrente de oração. Poucas vezes em minha vida experimentei algo tão forte. Chegando ao hospital recebi um telefonema de minha irmã, Joice, revi uma mensagem de texto no celular que Dora tinha enviado para mim e para nossos filhos, e fui recebendo os irmãos. Oramos juntos. Ela saiu para a sala de cirurgia. Mais irmãos foram chegando e depois de algum tempo conversando, Zezinho coordenou uma reunião de oração. Foi maravilhoso me sentir “pastoreado” naquele momento. Cerca de 12 irmãos estavam ali comigo, cada um do seu jeito, apresentando a Deus a vida de Dora, suplicando por cada detalhe da cirurgia...  Não sei ao certo quanto tempo passamos ali juntos orando...  Mas, foi um tempo de paz e que passou rapidamente...

Desci a cantina para tomar um café e ali encontrei vários irmãos. 8 horas e trinta minutos: recebi um telefonema do irmão Aristóbulo perguntando como estava a cirurgia. Disse a ele que não tínhamos nenhuma notícia ainda e que achava que ainda demoraria muito tempo termos alguma informação. Mal tinha desligado o celular e o Elpídio chegou a cantina com um grande sorriso trazendo boas e “ótimas” notícias. A cirurgia foi um sucesso e o tumor era benigno. Foi uma verdadeira comemoração, todos rindo, recebi muitos abraços e começamos a ligar para parentes e para a igreja. A partir deste instante o celular tocava sem parar. Alguns querendo notícias e outros para simplesmente para extravasar sua  alegria pela resposta positiva às suas orações.

Perto de meio dia quando Dora saiu do centro cirúrgico. Ela já tinha sido informada pelo médico e pelo Dr. Rui que falou com ela na sala de recuperação, que a cirurgia foi um sucesso, mas não sabia o resultado da biopsia. Assim que a encontrei disse-lhe: “Bem, está tudo bem. A cirurgia foi ótima e o tumor era benigno”.  Lágrimas escorreram dos seus olhos e ela repetiu  várias vezes: “Glória a Deus, glória a Deus...

O especial cuidado de Deus foi revelado em nossas vidas nestes dias não apenas pelo êxito da cirurgia, por uma paz extraordinária que envolveu a nossa família, mas através do carinho de nossos irmãos demonstrado de tantas formas. Alguns manifestaram amor telefonando logo e buscando notícias, outros mandando torpedos, mensagens por e-mais, flores, recadinhos, intermediando contatos, providenciando apoio financeiro, outros evitando telefonar ou visitar nestes primeiros dias para “não incomodar”, as crianças fazendo um cartaz com mensagens de carinho, outros nos ajudando na logística, outros arrumando nosso quarto em casa com uma linda decoração, outros trazendo comida,  todos trazendo uma palavra de otimismo e fé, outros se apresentando como “acompanhantes”, outros dizendo “estou às ordens, podem contar comigo para o que precisarem”...  Cada um, a seu modo, das mais diferentes maneiras, demonstrando amor... Além das orações que foram essenciais para que nos sentíssemos completamente amparados espiritualmente, experimentamos, como nunca antes, o amor da igreja por Dora e nossa família.

Agora é hora de agradecermos a Deus. Dora precisará de um tempo para sua completa recuperação. Este é o momento também de dirigirmos nosso cuidado ao irmão Aristóbulo  que também se encontra enfermo e é muito querido de todos nós.

Aos meus queridos irmãos, da Primeira Igreja Batista de Fortaleza, e de muitos outros lugares do Brasil, nossa profunda gratidão e louvado seja Deus que ouviu e atendeu ao nosso clamor.

Seu pastor

Marcos Vieira Monteiro.