É lamentável que a violência em uma cidade, que durante anos tem sido o cartão postal do Brasil, tenha atingido níveis tão elevados que para minimizá-la seja necessário uma verdadeira operação de guerra.

     

Finalmente as forças de segurança se uniram ao Exército para uma ação repressão ao tráfico à altura do poder de fogo dos traficantes. A pergunta que muitos fazem é: por que isso não foi feito antes?

     

Uma das respostas é que, ao longo de muitos anos, o tráfico de drogas foi crescendo nas favelas de tal maneira, que os poderes públicos não acompanharam devidamente o que estava acontecendo, até que determinadas áreas foram totalmente controladas por bandidos. Este processo ocorreu, inclusive, com o apoio de grande parte da população, ignorada pelo Estado. A violência dos traficantes foi se somando à corrupção de parte da polícia e a situação se tornou tão caótica que qualquer mudança mais significativa não se tornou mais possível em pouco tempo.

    

Tão importante quanto retomar os territórios e instalar as Unidades da Polícia Pacificadora é realmente garantir a presença de policiais idôneos nas comunidades. Quando se pergunta sobre os resultados da ação policial e militar nos últimos dias, os moradores da favela se mostram satisfeitos, mas percebe-se em seu olhar e até mesmo em seus depoimentos uma grande apreensão: será que depois de algum tempo tudo não voltará a ser como antes?

     

Felizmente não houve no final da semana passada o que muitos temiam: um “ banho de sangue”. Por outro lado o número de bandidos detidos foi menor que o esperado. Falava-se que havia cerca de 500 homens armados prontos a resistir. Eles fugiram. Eles fogem  e provocam pânico na população, queimando carros, matando inocentes, cometendo assaltos... até quando?

     

Não podemos nos iludir. Uma ação repressora forte é necessária. É papel do Estado promover a segurança da população. Em um mundo contaminado pelo pecado, infelizmente, a violência precisa ser combatida com determinação e com armas. Mas, isso não trará jamais a paz completa.

    

A paz conquistada pelas armas sempre traz muito sofrimento. É a mãe que chora por ver seu filho morto em um combate (não importa de que lado ele está, ela é mãe), é a família desesperada com um dos seus queridos na UTI, entre a vida e a morte, atingido por uma “bala perdida”...  é a criança traumatizada correndo na rua no meio do tiroteio, tendo que fugir de casa, deixando tudo para trás...

Neste contexto cabe à igreja orar por nossas autoridades para que cumpra o papel que lhes cabe com sabedoria, com inteligência, com coragem e sensibilidade.  

A paz no Rio ou em qualquer cidade jamais será construída permanentemente sem uma mudança no coração. É a presença de Jesus Cristo na vida que possibilita um viciado vencer seu vício. Quem sustenta o mercado das drogas são os dependentes químicos que estão “no asfalto”.     

A paz que o Rio precisa será construída não apenas por meio das armas, mas pela mensagem do Evangelho, que faz com que o homem violento se torne pacífico, que o policial corrupto passe a agir com honestidade, que o traficante perigoso se torne um irmão em Cristo, que um ponto de drogas se transforme em uma igreja...   

Oremos para que a paz que Jesus veio trazer à terra e que celebramos agora no Natal, seja derramada sobre a cidade do Rio de Janeiro, sobre nossa cidade e em todos os lugares do mundo onde impera a violência.

Seu pastor

Marcos Monteiro